Lavoura convida Preta-Rara e MC Sombra ao palco do Sesc Belenzinho

Nome da nova cena paulista de música instrumental, o Lavoura é um grupo que se ampara no jazz, música brasileira e latina e nas pontes entre som, imagem e tecnologia. Em seu novo trabalho, a banda volta a explorar o diálogo entre as artes visuais e a música. Em show inédito dia 8 de setembro no Sesc Belenzinho, que antecipa esta nova fase, o Lavoura recebe dois expoentes da nova música negra brasileira, o rapper MC Sombra, do SNJ e Senzala Hi-Tech, e a cantora e MC santista Preta-Rara.
Ao buscar o diálogo com a arte periférica, o grupo propõe a reafirmação do aspecto rebelde e engajado do jazz, aliando beats, timbres e climas com o flow único do rapper paulistano e construindo ambiências que servem de cama para o discurso imbuído de negritude e poder feminino da cantora santista Preta-Rara, expoente do novo feminismo.
O Lavoura também está em fase de captação de projeto aprovado pelo Proac ICMS para levar seu espetáculo, com oficinas, para escolas e centros culturais da periferia de São Paulo. “A conversa com as periferias se dará por meio de uma relação transversal, em que o grupo também irá buscar e valorizar o talento de MCs, DJs, beatmakers, dançarinos e grafiteiros. Queremos retomar a visão do jazz como ‘música social’, como classificava Miles Davis. No Brasil, com a herança indígena e a mestiçagem, esta música se torna ainda mais complexa, com mais referências”, afirma o grupo.
“Eric Hobsbawm diz em ‘História Social do Jazz’ (Paz e Terra) que o jazz só se tornou popular porque se manteve longe do gosto da elite nos seus primeiros anos. Ele também foi a primeira música de pista, acolheu inovações da música erudita, se tornou um veículo espiritual e se fundiu com a música local de todos os lugares no fusion, onde o Brasil teve um papel preponderante. É a expressão da liberdade”, completa o Lavoura.
Ao mesmo tempo em que pesquisa e cria climas, beats e timbres futuristas, o Lavoura e muitos artistas da nova cena de música instrumental brasileira bebem na estética de mestres como Raul de Souza, Eumir Deodato, Moacir Santos, Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti, João Donato, Dom Um Romão e Azymuth.
Lançado em 2014, o álbum mais recente do grupo, “Photosynthesis”, repercutiu no underground internacional, tendo sido destaque em sites e rádios de todo mundo.
Concebido para ser um espetáculo audiovisual e gravado por um time de craques da nova cena de São Paulo, apenas recentemente o time do Lavoura ao vivo ficou completo com a entrada do guitarrista e produtor Thiago Duar (Guizado, Afrobombas, neste último ao lado de Jorge Du Peixe) e do saxofonista e flautista Marcelo Monteiro (DJ Tudo, Guilherme Kastrup, Cauby Peixoto).
Após shows no Lo-Fi Jazz, durante a Virada Cultural, e nos Sescs Vila Mariana e Ribeirão Preto, o grupo segue com a turnê “Photosynthesis” e prepara o sucessor do álbum. A apresentação no Sesc Belezinho será acompanhada pelo trabalho dos artistas visuais Carlos Pedreañez e Rodrigo Barbosa.
LINKS:
Ouça Lavoura:
Trecho do show “Photosynthesis”
Documentário sobre o Lavoura produzido pela Sesc TV:
Lavoura no Instrumental Sesc Brasil

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